Dinossauros de Portugal: uma síntese (Português) A ALT-Sociedade de História Natural tem ao seu cuidado uma das maiores colecções paleontológicas de vertebrados do Jurássico Superior de Portugal, fruto de uma década de intervenções na região Oeste, em particular no Concelho de Torres Vedras.
O registo de restos directos de dinossauros de Portugal tem mostrado, nos últimos anos, que pode ser muito relevante para o conhecimento de distintos aspectos da historia evolutiva do grupo e, dada a posição da Península Ibérica, para a interpretação da distribuição de alguns dos seus componentes. O registo fóssil português conta com representantes de quase todos os grandes grupos de dinossauros (ornitópodes, tireóforos, terópodes e saurópodes) que são abundantes em alguns níveis sedimentares da Bacia Lusitana, sobretudo no Jurássico Superior (Kimmeridgiano-Titoniano) e que estão bem representados na Colecção de Referência da ALT-Sociedade de História Natural. As zonas de Torres Vedras, Batalha, Pombal e Lourinhã têm registado nos últimos anos várias ocorrências. O conjunto de ornitisquios está composto por tireóforos, dos quais que se identificaram restos de três estegossaurios (Dacentrurus, Miragaia y Stegosaurus, em Torres Vedras, Batalha e Lourinhã) e um anquilossaurio com atribuição segura: Dracopelta. Dracopelta é um dos anquilossaurios mais antigos que se conhecem e é o único descrito até ao momento no Jurássico Superior da Península Ibérica. O seu registo restringe-se a um único exemplar procedente da Formação do Freixial (Titoniano), da Praia do Sul (Torres Vedras). Neste contexto geológico ocorrem ainda ornitópodes, como formas próximas aos tradicionais hipsilofodontideos e driosaurideos, e também mais frequentes camptosaurideos (Draconyx e Camptosaurus). A ocorrência de saurópodes está fundamentalmente composta por formas de eusauropodes basais (Lourinhasaurus), diplocodocoideos (Dinheirosaurus) e titanosauriformes (Lusotitan), representando formas endémicas de Portugal. Mas também se reconheceu recentemente a presença de um saurópode de distribuição ibérica, como Turiasarus, ficando ficando por estabelecer a presença de algumas formas compartilhadas com o registo fóssil de dinossauros da América do Norte, como Camarasaurus. O conjunto de géneros de terópodes (carnívoros) portugueses está constituído pelo ceratossaurio Ceratosaurus, o espinossauroide Torvosaurus, pelos carnossaurios Lourinhanosaurus e Allosaurus, e pelo tiranossauroide Aviatyrannis (Leiria). A presença de formas estreitamente relacionadas com faunas sincrónicas no registo norte-americano, em simultâneo com formas endémicas e outras partilhadas pelo registo europeu, situam a Península Ibérica como um interessante cenário biogeográfico, cuja interpretação, apesar do importante aumento de informação que se tem produzido nos últimos anos, está ainda muito dependente da interpretação das relações de parentesco de muitos grupos representados.Os terópodes Lourinhanosaurus y Aviatyrannis são, de momento, exclusivos da Península Ibérica e Ceratosaurus y Torvosaurus seriam formas partilhadas (pelo menos a nível genérico) com o registo sincrónico de América do Norte. A ocorrência de Allosaurus em Portugal é muito mais conclusiva. Surgindo inicialmente na jazida de Andrés, Pombal, um novo exemplar de Allosaurus foi descoberto em Torres Vedras, nas arribas da Praia de Cambelas (ALTSHN-0019). A descrição destes exemplares constitui a primeira referência robusta de um allossaurídeo na Europa, do género fora da América do Norte e de uma espécie de dinossauro partilhada entre a Europa e os EUA. Os restos de Allosaurus conhecem-se bem nas camadas sincrónicas da Formação Morrison nos Estados Unidos, mas o achado dos exemplares portugueses sugere uma distribuição mais ampla da espécie ao largo da Laurasia. Esta presença de faunas partilhadas levam a supor a existência de uma ligação terrestre, pontualmente emersa ao largo do proto - Atlântico Norte, e que permitiria o intercâmbio de dinossauros entre os dois continentes. | Dinosaurios de Portugal: una síntesis (Castellano) La ALT-Sociedade de História Natural custodia una de las mayores colecciones paleontológicas de vertebrados del Jurásico Superior de Portugal, fruto de más de una década de intervenciones en la región Oeste, en particular en el Concejo de Torres Vedras.
El registro de restos directos de dinosaurios portugueses ha demostrado, en los últimos años, que puede ser muy relevante para el conocimiento de distintos aspectos de la historia evolutiva del grupo y, dada la posición de la Península Ibérica, para la interpretación de la distribución de algunos de sus componentes. El registro fósil portugués cuenta con representantes de casi todos los grandes grupos de dinosaurios (ornitópodos, tireóforos, terópodos y saurópodos) que son abundantes en algunos niveles sedimentarios de la Cuenca Lusitana, principalmente en el Jurásico Superior (Kimmeridgiense-Titónico), y que están bien representados en la colección de referencia de la ALT-Sociedade de História Natural. Algunas localidades, como Torres Vedras, Batalha, Pombal y Lourinhã han registrado múltiples hallazgos en los últimos años. El conjunto de ornitisquios está compuesto por tireóforos, de los que se identifican restos de tres estegosaurios (Dacentrurus, Miragaia y Stegosaurus, en Torres Vedras, Batalha y Lourinhã) y un anquilosaurio con atribución segura: Dracopelta. Dracopelta es uno de los anquilosaurios más antiguos que se conocen y el único descrito hasta el momento en el Jurásico Superior de la Península Ibérica. Su registro se restringe a un único ejemplar procedente de la Formación Freixial (Titónico), en Praia do Sul (Torres Vedras). En este contexto geológico se registran ornitópodos, como formas próximas a los tradicionales hipsilofodóntidos y driosáuridos, y también, más frecuentemente, camptosáuridos (Draconyx y Camptosaurus). La presencia de saurópodos está fundamentalmente compuesta por formas de eusaurópodos basales (Lourinhasaurus), diplocodocoideos (Dinheirosaurus) e titanosauriformes (Lusotitan), que son formas endémicas de Portugal. Pero también se ha reconocido la presencia de un saurópodo de distribución ibérica, como Turiasarus, y queda por establecer la presencia de algunas formas compartidas con el registro Norteamericano, como Camarasaurus. El conjunto de géneros de terópodos (carnívoros) portugueses está constituido por el ceratosaurio Ceratosaurus, el espinosauroideo Torvosaurus, por los carnosaurios Lourinhanosaurus y Allosaurus, y por el tiranosauroideo Aviatyrannis (en Leiria). La presencia simultánea de formas estrechamente relacionadas con faunas sincrónicas en el registro norteamericano, de formas endémicas y de otras compartidas con el registro europeo, sitúan a la Península Ibérica como un interesante escenario biogeográfico, cuya interpretación, a pesar del reciente incremento de información en los últimos años, es aún muy dependiente de la interpretación de las relaciones de parentesco de muchos de los grupos representados. Los terópodos Lourinhanosaurus y Aviatyrannis son, de momento, exclusivos de la Península Ibérica y Ceratosaurus y Torvosaurus serían formas compartidas (por lo menos a nível genérico) con el registro sincrónico de América del Norte. La presencia de Allosaurus en Portugal es, por el momento mucho más conclusiva. Reconocido inicialmente en el yacimiento de Andrés (Pombal), un nuevo ejemplar de Allosaurus, ALTSHN-0019). fue descubierto en los acantilados de Praia de Cambelas (Torres Vedras). La descripción de estos ejemplares constituye la primera referencia robusta de un alosaurio en Europa, del género fuera de América del Norte y de una especie de dinosaurio compartida entre Europa y EEUU. Los restos de Allosaurus se conocen bien en los niveles sedimentarios sincrónicos de la Formación Morrison en los Estados Unidos, pero el hallazgo de dos ejemplares portugueses sugiere una distribución más amplia de la especie a lo largo de Laurasia. La presencia de faunas compartidas permite suponer la existencia de contactos terrestres puntuales entre las orillas del proto-Atlántico Norte, lo que permitiría el intercambio de dinosaurios entre los dos continentes. |